<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><channel><title>Matheus Mello Psicologia | Blog</title><description>Artigos e reflexões sobre psicanálise, saúde mental e vida contemporânea.</description><link>https://matheusmellopsi.com/</link><item><title>Chico Science, mangue, memória e trauma</title><link>https://matheusmellopsi.com/blog/chico-science-memoria-e-trauma/</link><guid isPermaLink="true">https://matheusmellopsi.com/blog/chico-science-memoria-e-trauma/</guid><description>um ensaio sobre o précursor do manguebeat e os desdobramentos da sua obra</description><pubDate>Mon, 13 Apr 2026 00:00:00 GMT</pubDate><content:encoded>&lt;h1 id=&quot;chico-science-mangue-memória-e-trauma&quot;&gt;Chico Science, mangue, memória e trauma.&lt;/h1&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Modernizar o passado
É uma evolução musical&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Monólogo ao Pé do Ouvido - Chico Science e Nação Zumbi&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;h2 id=&quot;quem-foi-chico-science&quot;&gt;Quem foi Chico Science?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Um cantor que não sabia ler partituras. Era um empirista que experimentava a música no próprio corpo: Tocava com as mãos, batucava, reproduzia melodias com a boca e as registrava com palavras. Frequentador assíduo de distintos espaços culturais de Recife, mergulhou em diferentes &lt;em&gt;mangues&lt;/em&gt; para produzir sua música. Algumas de suas influências foram a black music, hip hop, rock e ritmos regionais como o maracatu, coco e a embolada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi gênio porque teve a sensibilidade de escutar uma dor presente no &lt;em&gt;território&lt;/em&gt; e nas pessoas. – e  sagaz porque conseguiu &lt;em&gt;conciliar&lt;/em&gt; expressões artísticas, estéticas e tecnologias. Primeiro a música chegava pelas antenas da rádio, os discos… e depois a cultura hip hop e o brake dance. Na Empresa Municipal de Informática do Recife conheceu Gilmar Bola 8. Conversam sobre seus projetos musicais e Gilmar leva Chico ao Daruê Malungo – um centro de educação popular e de resgate à cultura africana onde rolava música e dança.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;– Você quer uma dança, um jogo ou uma luta?
– Eu quero uma brincadeira.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Com mestre meia noite Chico Science dança, brinca e recebe a permissão para ter no Daruê malungo mais um lugar de &lt;em&gt;experimentação&lt;/em&gt;. Chico canta seus versos em meio às percussões, e  consciente do poder que aquilo tinha, convence o resto da sua banda a conhecer e tocar no espaço. Maracatu, rock, embolada, mangue, rede e cidade – assim Brasil e exterior se deslumbram com Chico Science e Nação Zumbi.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&quot;caranguejos-com-cérebro&quot;&gt;Caranguejos com Cérebro&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Existe todo um debate filosófico sobre o que é a arte e deus me livre de falar disso. Há quem diga que para uma coisa ser arte, para além de uma forma de expressão, ela deve conter em si alguma crítica e um conjunto de significantes com potencial de operar alguma provocação à sociedade. Acredito e incentivo a expressão humana porque a censura em demasia provoca danos, às vezes, irreparáveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Chico foi o catalizador de &lt;strong&gt;movimento social&lt;/strong&gt; gestado por diferentes pessoas, que a despeito das suas diferenças, compartilhavam sofrimentos inerentes à vida no Recife no inicio da década de 90. &lt;strong&gt;O Manguebeat&lt;/strong&gt; aqueceu o circuito cultural de Recife e rompeu seus muros.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Mangue, a cena&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Manifesto Caranguejos com Cérebro - Fred 04 e Chico Science&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Josué de Castro (1908-1971) foi um cientista social, sociólogo, médico e professor que dedicou sua vida e obra à pesquisa, denuncia e o combate da fome. Homens e Caranguejos (1967) é seu romance/autobiografia, publicada 4 anos antes do infarto que pôs fim a sua vida, durante seu exílio na França.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Inconsciente, memória e a sensibilidade de re_tratar o &lt;strong&gt;real&lt;/strong&gt; que salta aos olhos: Quando a tarefa de simbolizar o que há de &lt;strong&gt;real&lt;/strong&gt; é maior que os &lt;strong&gt;recursos subjetivos&lt;/strong&gt; de uma pessoa, a experiencia se torna um &lt;strong&gt;trauma&lt;/strong&gt;. Escutar, trabalhar e devolver gentilmente para seu interlocutor aquilo que a vida apresenta de mais bruto é uma tarefa que artistas e psicólogos se ocupam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No mangue Chico encontra o legado histórico e simbólico de Josué de Castro. Nada tinha aprendido sobre ele na escola. – &lt;em&gt;Efeito da ditadura?&lt;/em&gt; Tomou conhecimento do ilustre pernambucano quando viu seus nomes escritos lado a lado em uma matéria. – &lt;em&gt;Triunfo da arte!&lt;/em&gt; Vai ao centro Josué de Castro e folheia o romance homens e caranguejos. Percebe que falavam a língua de homens, de caranguejos e da fome.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Ô Josué, eu nunca vi tamanha desgraça&lt;br&gt;
Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Da lama ao caos - Chico Science e Nação Zumbi&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;</content:encoded><category>psicologia</category><category>psicanálise</category><category>manguebeat</category><category>recife</category><category>arte</category><category>tecnologia</category><author>Matheus Mello</author></item><item><title>O que faz um psicanalista?</title><link>https://matheusmellopsi.com/blog/o-que-faz-um-psicanalista/</link><guid isPermaLink="true">https://matheusmellopsi.com/blog/o-que-faz-um-psicanalista/</guid><description>Algumas considerações sobre o ofício do analista</description><pubDate>Thu, 02 Apr 2026 00:00:00 GMT</pubDate><content:encoded>&lt;h1 id=&quot;o-que-faz-um-psicanalista&quot;&gt;O que faz um psicanalista?&lt;/h1&gt;
&lt;p&gt;Seguindo nos textos sobre a psicanálise é chegado o feliz momento de compartilhar algumas ideias sobre o meu ofício.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu diria que um &lt;strong&gt;psicanalista&lt;/strong&gt; se faz com a &lt;strong&gt;prática clínica&lt;/strong&gt;. É no chão da clínica que a teoria psicanalítica faz sentido e que o trabalho de escutar o &lt;strong&gt;inconsciente&lt;/strong&gt; ganha consistência. Seguindo os ditames de Freud, que por volta de 1921 institucionalizou o &lt;strong&gt;tripé psicanalítico&lt;/strong&gt;, complemento dizendo que um psicanalista se faz com análise pessoal, estudo teórico e supervisão clínica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pode parecer meio piegas, mas diria também que um analista se faz com o &lt;strong&gt;desejo pela análise&lt;/strong&gt;, curiosidade e amor. Sustentar a &lt;strong&gt;escuta clínica&lt;/strong&gt; é uma tarefa desafiadora por si só. Existem abordagens psicológicas mais complacentes com a presença do “eu do analista” no &lt;strong&gt;setting terapêutico&lt;/strong&gt;, a escuta psicanalítica via de regra não é assim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O compromisso do psicanalista é com o &lt;strong&gt;inconsciente&lt;/strong&gt; e para estar com os ouvidos afiados, precisa esvaziar-se de si. Existem pacientes com os quais uma &lt;strong&gt;identificação positiva&lt;/strong&gt; acontece e isso é esperado, afinal, para que uma análise aconteça é preciso haver &lt;strong&gt;transferência&lt;/strong&gt;. Mas a psicanálise propõe um passo adiante dessa identificação, porque se agarrar irrestritamente a ela é uma forma de sufocar o potencial de transformação que uma &lt;strong&gt;análise&lt;/strong&gt; tem. As histórias que os pacientes contam muitas vezes são convidativas, mas para que o sujeito elabore novas formas de falar de si é preciso de um certo grau de abandono da sua própria narrativa. A análise anda quando se tem espaço suficiente para que o paciente se confronte com suas estranhezas e para que esse espaço seja possível, é fundamental que a transferência não seja apenas uma questão de identificação.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&quot;o-que-um-psicanalista-faz&quot;&gt;O que um psicanalista faz?&lt;/h2&gt;
&lt;h3 id=&quot;ouve-o-inconsciente&quot;&gt;Ouve o inconsciente&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;Na psicanálise o &lt;strong&gt;eu do analista&lt;/strong&gt; é &lt;strong&gt;instrumentalizado&lt;/strong&gt; em função do &lt;strong&gt;inconsciente&lt;/strong&gt; do outro. Isso quer dizer que as intervenções e interações devem ser pensadas a partir de um &lt;strong&gt;raciocínio clínico&lt;/strong&gt; e não de uma relação afetuosa; Isso não é uma condenação a fazer uma cara &lt;em&gt;blasé&lt;/em&gt; e falar repetidamente “&lt;em&gt;hmm fale mais sobre isso&lt;/em&gt;” e nem um convite à dizer que a sua vida também está uma merda. Apenas quer dizer que o analista deve se ocupar &lt;strong&gt;mais com o inconsciente&lt;/strong&gt; e menos com a satisfação que seu eu pode ter fazendo vínculos. (a não ser que isso tenha algum valor clínico)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ouvir o inconsciente é como pescar ideias: você senta e espera. A prática lhe permite ser mais sagaz, saber onde jogar o anzol. Mas ainda assim, isso não é uma garantia que seu analisante vai entrar em livre associação e que uma análise decorrerá. Existem pessoas que chegam prontas e desejantes de uma análise e existem pessoas que precisam aprender a elaborar. Eu diria que ouvir o inconsciente muitas vezes passa por encantar a pessoas com suas próprias histórias, é um trabalho de desenvolver uma espécie de curiosidade e sensibilidade às vozes que vem de dentro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O percurso de uma análise passa por se deparar com a estranheza(isso, id) há dentro de si, o ofício do analista é acompanhar o processo de escuta do inconsciente e oferecer algum suporte para que a angústia de desconhecer-se não seja aniquiladora. Conduzir uma análise demanda sensibilidade porque não há uma medida exata de quando ser mais ou menos analista, excesso e ausência podem colocar a análise em risco.&lt;/p&gt;
&lt;h3 id=&quot;lida-com-sofrimento-psíquico&quot;&gt;Lida com sofrimento psíquico&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;Geralmente as pessoas procuram um psicólogo/psicanalista quando estão passando por algum tipo de sofrimento psíquico; Aquele incômodo antigo, como uma experiência de violência, que por mais que o indivíduo se esforce, insiste em retornar no presente. Ou um intempérie da vida, algo que acontece de aterrador, como a súbita morte de alguém, um golpe que não pôde ser premeditado e que portanto, se define &lt;strong&gt;como trauma&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A psicanálise chama de trauma aquilo que o &lt;strong&gt;aparelho psíquico&lt;/strong&gt; não pôde simbolizar. Para a psicanálise as experiências traumáticas que não encontram condições de virar palavra retornam como &lt;strong&gt;sintoma&lt;/strong&gt;. Frente ao trauma, uma das coisas que o analista faz é auxiliar no processo de &lt;strong&gt;simbolização&lt;/strong&gt; do sujeito. Todo tipo de expressão é válida e simbolizar é o que torna tolerável a angústia da experiência humana. Na clínica psicanalítica o processo de simbolização costuma acontecer por meio da &lt;strong&gt;palavra&lt;/strong&gt; e com ela fala-se do que faz sofrer, do mal estar, do incômodo, e de tudo aquilo que precisa ganhar um sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em suma, diria que o ofício do analista é auxiliar a transformação da angústia em discurso, escutando o que o sujeito diz quando lhe faltam palavras para dizer do seu próprio desamparo.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&quot;quando-eu-me-tornei-analista&quot;&gt;Quando eu me tornei analista&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Depois de pegar meu CRP e poder iniciar oficialmente a clínica enquanto psicólogo, minha primeira grande dificuldade foi meio que gramatical: Como nomear essa clínica? Seria eu um psicanalista? NÃO, JAMAIS! Até então eu cultivava um certo ranço de psicanalistas, por imaginar que para ser psicanalista eu precisaria ser: Ortodoxo, duro e quadrado, neutro e insosso, tecnicamente implacável, que não poderia me permitir sorrir e brincar. Minha clínica, mesmo que incipiente, já esboçava ser diametralmente oposta a isso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A confusão estava posta e para resolvê-la foi preciso trabalhar. Pensar, falar e fazer coisas, ir a lugares (virtuais muitas vezes) e conhecer pessoas. A clínica vai acontecendo na medida em que a gente se investe nela, na minha pelo menos tem sido assim. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Encontrei um bom analista, passei por alguns grupos de discussão de caso, paguei supervisão em grupo até que me inscrevi e no instituto de Gradiva de psicanálise. Isso foi um ponto de virada na minha clínica psicanalítica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em &lt;a href=&quot;https://institutogradiva.com.br&quot;&gt;Gradiva&lt;/a&gt; encontrei uma transmissão meticulosa e honesta da psicanálise. As professoras que pude conhecer até então, não são apenas excelentes acadêmicas, mas também gente que faz clínica psicanalítica à vera; Com a Naira leio Freud de ponto a ponto e me encanto com seus riquíssimos parênteses que contextualizam autores clássicos da filosofia e movimentos relevância para psicologia. Com Pedro vou lendo capítulos de Jacques Alain Miller e despretensiosamente fazendo um rico arranjo da teoria e prática de Lacan; E com Andréia venho aprendendo a fazer clínica, a ter mais cuidado com os significantes e intervenções. Eventualmente ela pega no meu pé por causa das minhas gírias e me aconselha a levar alguma coisa para minha análise, mas no fim do dia tudo fica bem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tudo citado até aqui me ajudou na trajetória de me tornar analista, mas o que foi decisivo nesse processo foi perceber que muitas das angústias que eu carrego são angústias comuns e que elas não me fazem mais ou menos analista.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Ih professora, o nó borromeano também te soa estranho? Sério que vocês não são psicanalistas 100% do tempo em uma análise? O paciente entra e sai de análise? Isso é &lt;em&gt;normal&lt;/em&gt;? Então a gente faz pouca psicanálise mesmo né? Será que esse tal de inconsciente existe mesmo? É comum ficar com esse sentimento de &lt;em&gt;que coisa eu estou fazendo&lt;/em&gt; Mesmo com 30 anos de clínica?&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://matheusmellopsi.com&quot;&gt;Minha clínica&lt;/a&gt; se encontra na sua fase mais leve, hora as coisas correm meio soltas e saem um pouco do lugar, mas o trem bala nunca sai do trilho. Às vezes eu tiro férias de ser psicanalista, em respeito pelo processo terapêutico dos meus pacientes ou pela minha falta de energia para sê-lo. Os atendimentos no entanto nunca deixam de acontecer a não ser que algo extraordinário aconteça, seja um show do my chemical romance ou a internação da minha avó.&lt;/p&gt;</content:encoded><category>psicologia</category><category>psicanálise</category><category>blog</category><category>clínica</category><category>arte</category><category>inconsciente</category><author>Matheus Mello</author></item><item><title>Glossário</title><link>https://matheusmellopsi.com/blog/glossario/</link><guid isPermaLink="true">https://matheusmellopsi.com/blog/glossario/</guid><description>Compilado de palavras que acho interessantes e suas respectivas definições.</description><pubDate>Tue, 24 Mar 2026 00:00:00 GMT</pubDate><content:encoded>&lt;p&gt;Aqui &lt;a href=&quot;https://matheusmellopsi.com&quot;&gt;eu&lt;/a&gt; escrevo a definição das palavras que gosto/acho interessantes&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Alteridade&lt;/strong&gt;: reconhecer o outro como um sujeito. Tomar sua história, crença e limites como algo realmente relevante e fundamental para uma &lt;em&gt;com_vivencia&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;No meu cenário tem uma estante modular de madeira feita com os quadros da minha serigrafia. Tive o cuidado de não a lixar demais, não quis fazer dela uma madeira estéril, por mais dolorosa que seja, a história daqueles quadros é fundamental, portanto os tratei com alteridade.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Subjetividade&lt;/strong&gt;: é o produto de complexos processos biológicos, psíquicos e sociais. É o que chamamos de sujeito, ou pessoa, um corpo biológico e sua personalidade, o que há de mais íntimo em uma criatura viva.&lt;/p&gt;</content:encoded><category>psicologia</category><category>psicanálise</category><category>blog</category><category>glossário</category><category>divulgação científica</category><category>comunicação</category><author>Matheus Mello</author></item><item><title>Psicologia em tempo de algoritmos</title><link>https://matheusmellopsi.com/blog/psicologia-em-tempo-de-algoritmos/</link><guid isPermaLink="true">https://matheusmellopsi.com/blog/psicologia-em-tempo-de-algoritmos/</guid><description>Elocubrações sobre as recentes transformações no campo social e do trabalho.</description><pubDate>Fri, 20 Mar 2026 00:00:00 GMT</pubDate><content:encoded>&lt;h1 id=&quot;psicologia-em-tempo-de-algoritmos&quot;&gt;Psicologia em tempo de algoritmos&lt;/h1&gt;
&lt;p&gt;O surgimento do computador pessoal e a possibilidade de compartilhar informações embalaram o início do novo milênio com o desejo de construir coletivamente um ciberespaço para todos. A verdade é que o futuro saiu um pouquinho diferente do que teóricos como Pierre Lévy podiam imaginar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O desenvolvimento dos smartphones e das redes sociais contribuíram para profundas transformações no tecido social e no campo do trabalho. Nossos dados passaram a ser um valioso ativo para as big techs, passamos a cedê-los voluntariamente e não só isso, passamos também a trabalhar para essas empresas. Eu diria que o mundo hoje é meio cyberpunk: high tech low life. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao smartphone, não por acaso, nossa sociedade passou a delegar as mais diversas tarefas: Ser chupeta de criança, ferramenta de trabalho, fonte de notícias e entretenimento, gps, carteira, álbum de fotos… e por aí vai. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No campo do trabalho pode-se pensar que lidar com essa tecnologia se tornou incontornável para quase todo profissional: quem não tem um zap? &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há uma extensa e recente produção na sociologia do trabalho onde cunha-se o termo uberização para explicar o fenômeno do trabalho de plataforma. A uberização é apenas um estágio de um longo e sistemático processo de precarização nas condições de trabalho. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No Brasil, por exemplo, observa-se uma retração na oferta de vagas de trabalho em regime clt, aumento das terceirizações, pejotização e trabalho de plataforma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse cenário observa-se o crescente discurso do empreendedorismo de subsistência. Seja seu próprio patrão! Faça seu próprio horário! Você não vai ficar desempregado se inventar seu próprio emprego. É cruel mas infelizmente essa é a tônica do momento. Pra esmagadora maioria da população não sobra muita coisa além de se contentar com um salário mínimo, trabalhar para uma plataforma ou empreender.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&quot;transformações-sociais-e-psicológicas&quot;&gt;Transformações sociais e psicológicas&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O laço social também passa pelos seus desafios: há um entendimento que as redes contribuem para que nos tornemos indivíduos atomizados, afastados da cultura e da pluralidade que a vida pode oferecer. Isso é devastador para as subjetividades, principalmente das pessoas mais novas, que não tiveram a oportunidade de conhecer um mundo diferente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não se trata de nostalgia, o problema é que as redes têm ocupado um papel significativamente grande no processo de subjetivação. E até estaria tudo bem se rede social fosse o sinônimo de gente se conectando e trocando ideias, mas o problema é que as redes sociais não são isso. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As redes atuais não se preocupam em estimular seu interesse e curiosidade pelo mundo, elas querem que você continue scrollando, e descobrindo o mundo a partir do seu algoritmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso é perigoso porque submete pessoas a interesses corporativos e cruel porque contribui para que a vida (que já não é um morango) seja ainda mais desinteressante e sem sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse me parece um problema contemporâneo latente. Estamos todos pobres de representações e enfiados na atual lógica de consumo e produção até o último fio de cabelo. Quem é um pouco mais velho consegue até se lembrar de quando a vida foi diferente. Mas já temos gerações inteiramente nascidas e criadas nesse zeitgeist.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que não quer dizer que a juventude não crie seus próprios movimentos. Outras formas de sociabilidade estão emergindo; recentemente rolou um protesto de crianças no roblox, achei maior barato isso. Ainda sim me preocupa o fato da internet mediada por algoritmos ser a maior janela pela qual a garotada olha o mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Precisamos falar criticamente e sobretudo produzir novas formas de ocupar e se relacionar com as redes. Entendendo que elas são canais de comunicação incontornáveis e nós, temos a inventividade suficiente para produzirmos algo realmente bom com essas ferramentas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Algo nesse texto ressoa em você? Conheça mais do meu trabalho &lt;a href=&quot;https://matheusmellopsi.com&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</content:encoded><category>psicologia</category><category>tecnologia</category><category>sociedade</category><category>uberização</category><category>subjetividade</category><category>trabalho</category><author>Matheus Mello</author></item><item><title>Zeitgeist, o espírito do tempo</title><link>https://matheusmellopsi.com/blog/zeitgeist-o-espirito-do-tempo/</link><guid isPermaLink="true">https://matheusmellopsi.com/blog/zeitgeist-o-espirito-do-tempo/</guid><description>Uma breve visão sobre o conceito Hegeliano zeitgeist e uma reflexão sobre a clínica contemporânea</description><pubDate>Mon, 16 Mar 2026 00:00:00 GMT</pubDate><content:encoded>&lt;h2 id=&quot;zeitgeist-o-espírito-do-tempo&quot;&gt;Zeitgeist, o espírito do tempo&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Zeitgeist&lt;/em&gt; é uma palavra em alemão e também um conceito. Não sei o que veio primeiro: se a palavra ou se o conceito, mas fato é que *zeitgeist significa o espírito do tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Espírito do tempo&lt;/strong&gt; é o conjunto do clima intelectual, sociológico e cultural de uma região ou do mundo todo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para nós, das humanas, o conceito chega pelas mãos de Hegel e nos permite pensar que o horizonte de possibilidade de pensamento, ação e criação dos indivíduos está sumariamente ligado ao tempo e o espaço onde vivem&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu lembro que entender esse conceito (mesmo sem saber nomeá-lo foi um dos momentos mais gostosos na graduação: Estava na quadra fumando um cigarro e lendo algum texto da matéria percepção ministrada pelo Danilo e a ideia entrou na minha cabeça: Um homem só pode conceber o mundo que conhece, com base na história que ele conhece e até mesmo os mais revolucionários, por mais inventivos que fossem, partilhavam do zeitgeist da sua época. A imaginação é uma coisa fascinante e transcendental, mas ainda sim está ancorada ao tempo/espaço. Não é possível um homem pensar fora do tempo.&lt;/p&gt;
&lt;h1 id=&quot;atendimento-clínico-presencial-e-online&quot;&gt;Atendimento clínico, presencial e online&lt;/h1&gt;
&lt;p&gt;O zeitgeist incide em toda criação humana e saber observá-lo nos permite ter um olhar mais atento para as nuances de momentos históricos, da arte e de &lt;strong&gt;subjetividades&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Saber ler o mundo contemporâneo é de grande valia para a &lt;strong&gt;clínica&lt;/strong&gt;, por isso, é fundamental que o &lt;a href=&quot;https://matheusmellopsi.com&quot;&gt;psicólogo/psicanalista&lt;/a&gt; estude, leia, viva e consuma arte. É de bom tom que o profissional da saúde, mesmo que para fazer uma mera inferência sobre uma subjetividade de alguém. A vida é plural e diversa, e deve ser respeitada.&lt;/p&gt;</content:encoded><category>filosofia</category><category>psicanálise</category><category>psicologia</category><category>ciência</category><category>comunicação</category><author>Matheus Mello</author></item><item><title>Qual a origem da filosofia?</title><link>https://matheusmellopsi.com/blog/qual-a-origem-da-filosofia/</link><guid isPermaLink="true">https://matheusmellopsi.com/blog/qual-a-origem-da-filosofia/</guid><description>A filosofia dos Pré socráticos até Aristóteles</description><pubDate>Fri, 06 Mar 2026 00:00:00 GMT</pubDate><content:encoded>&lt;p&gt;Uma das gratas surpresas que tive ao chegar na Universidade Federal Fluminense, foi esbarrar com o professor Marcio Miotto, que nos idos de 2013 dedicava um semestre inteiro à árdua tarefa de ensinar como a psicologia surgiu. Márcio era meticuloso em suas explicações e além de nos acompanhar ponto a ponto daquela complexa história, nos ensinou sobre a pluralidade de pensamentos e o caráter múltiplo da Psicologia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu não poderia começar esse um blog de psicologia e psicanálise por outro lugar que não na filosofia, pois, ao meu ver, ter ao menos uma noção de como surgiu a filosofia e as outras ciências é fundamental para um bom &lt;a href=&quot;https://matheusmellopsi.com&quot;&gt;psicólogo clínico&lt;/a&gt;. Na minha experiência esse conhecimento ajudou a compreender e lidar melhor com a multiplicidade de ideias da psicologia e apaziguou, mesmo que momentaneamente rs, um pouco da angustia que é estudar objetos tão abstratos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como fonte para esse texto usei o livro de &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/Danilo_Marcondes&quot;&gt;Danilo Marcondes&lt;/a&gt;: Iniciação à história da filosofia - dos pré-socráticos a Wittgenstein&lt;/p&gt;
&lt;h1 id=&quot;surgimento-da-filosofia-na-grécia-antiga&quot;&gt;Surgimento-da-filosofia-na-grécia-antiga&lt;/h1&gt;
&lt;p&gt;Ao longo da história humana muitos povos se ocuparam de produzir conhecimento sobre o mundo e fatores históricos como guerras, desastres ambientais, organização social, colonizações e intercâmbio cultural, contribuíram para que o legado de certos povos perdurasse e o de outros não. Povos como os: assírios e babilônios, chineses e indianos, egípcios, persas e hebreus, são conhecidos por uma rica tradição cultural e uma visão de mundo profundamente atravessada por mitos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A tradição oral desses povos explicava os &lt;strong&gt;fenômenos da natureza&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;forma sobrenatural&lt;/strong&gt;, seus &lt;strong&gt;mitos&lt;/strong&gt; explicavam os mistérios postos pela realidade com base em &lt;strong&gt;crenças&lt;/strong&gt; e mensagens que só poderiam ser acessadas e decifradas pelos seus sacerdotes e magos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por volta do século VI a.C a Grécia antiga passou por importantes mudanças socioculturais: o movimento de &lt;strong&gt;secularização&lt;/strong&gt; caracterizado pela retração da religião e avanço da política, a pluralização da sua cultura motivada pela expansão do comércio marítimo e o intercâmbio e desenvolvimento de relações amenas entre outros povos da região.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Teoriza-se que esse contexto tornou possível que uma nova forma de &lt;strong&gt;pensar&lt;/strong&gt; surgisse, os mitos que antes explicavam o mundo passaram a ser &lt;strong&gt;relativizados&lt;/strong&gt;, abrindo espaço para o desenvolvimento de outras teorias para explicar o mundo. Surge então lógica de &lt;strong&gt;pensamento naturalista&lt;/strong&gt;, que em contraposição ao pensamento mítico, postulava que a explicação do nosso mundo reside nele próprio, é de &lt;strong&gt;ordem física&lt;/strong&gt; e não de ordem sobrenatural.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao estágio inicial da filosofia se deu o nome de período &lt;strong&gt;pré-socrático&lt;/strong&gt; e abaixo estão destacados alguns pontos fundamentais da filosofia grega antes de Sócrates.&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;
&lt;p&gt;A physis (natureza).
Os pré socráticos buscavam a explicação dos fenômenos naturais na própria natureza e apenas nela, sem recorrer a mitos.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;
&lt;p&gt;A causalidade
Os filósofos passaram a trabalhar com a lógica de causa e efeito, procurando desta forma sempre uma explicação anterior ao fenômeno observado. Essa metodologia acabou por os colocar em uma investigação regressiva infinita e por isso passaram também a assumir que existiria um elemento primordial de todas as coisas. (arqué)&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;
&lt;p&gt;A Arqué (elemento primordial)
Não exisita um consenso entre eles sobre o elemento primordial de todas as coisas. Tales dizia que esse elemento era a água, Anaxímenes dizia que era o ar, Heraclito dizia que era o fogo e assim por diante. O conceito de arqué foi importante pois tratou-se de uma tentativa de explicar a realidade de maneira mais profunda recorrendo apenas a elementos naturais.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;
&lt;p&gt;O Cosmo
Eles passam a definir o cosmos como uma ordenação racional e hierárquica de elementos, passível de ser entendido e explicado por meio da razão humana.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;
&lt;p&gt;O logos (discurso)
O termo grego logos significa discurso, mas não qualquer discurso. Trata-se do discurso racional, que é fruto do pensamento racional, diferenciando-se assim de narrativas poéticas por exemplo.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;
&lt;p&gt;O caráter crítico
Suas filosofias não tinham caráter dogmático, nem eram apresentadas como verdades absolutas. As ideias eram apresentadas para ser debatidas e criticadas.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;h1 id=&quot;a-filosofia-a-partir-de-sócrates&quot;&gt;A filosofia a partir de Sócrates&lt;/h1&gt;
&lt;p&gt;Talvez aqui seja um bom ponto para lembrar que &lt;strong&gt;inovações culturais&lt;/strong&gt; estão sempre &lt;strong&gt;atreladas&lt;/strong&gt; a um &lt;strong&gt;contexto histórico e sociopolítico&lt;/strong&gt;. O desenvolvimento econômico da Grécia ocasionou a necessidade de lidar com a diversidade de crenças, costumes e ideias, pois aquela região se tornara um importante entreposto comercial. Os gregos desenvolveram a &lt;strong&gt;democracia&lt;/strong&gt; como uma ferramenta de &lt;strong&gt;conciliação de interesses&lt;/strong&gt;, tornando-se proeminentes na arte da política. A sociedade grega abriu mão do uso da força e de privilégios e passou a deliberar suas decisões em assembleias, portanto os cidadãos gregos tinham o direito de votar e a participação na vida política era uma virtude tão importante quanto a &lt;strong&gt;filosofia&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;strong&gt;pensamento socrático&lt;/strong&gt; esteve profundamente atravessado pela questão &lt;strong&gt;ético-política&lt;/strong&gt;. Sócrates foi acusado de desrespeito às práticas religiosas e corrupção da juventude, seu julgamento teve clara motivação política, pois ele discutia e &lt;strong&gt;questionava os valores&lt;/strong&gt; e atitudes da sociedade de sua época. Em sua defesa, não recuou em suas colocações, ironizou o júri e declarou que as acusações eram coerente com o que &lt;strong&gt;pensava&lt;/strong&gt;. Foi sentenciado a morte, optou por não se exilar e morreu como &lt;strong&gt;cidadão ateniense&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sócrates desenvolveu um &lt;strong&gt;método de análise&lt;/strong&gt; conceitual, que consistia em &lt;strong&gt;questionar o senso comum&lt;/strong&gt;, a cultura e as opiniões pessoais. O famigerado: só sei que nada sei é justamente sobre isso, um exercício de reconhecer sua ignorância frente às coisas mundanas e uma tentativa de conhecer a realidade a partir da &lt;strong&gt;razão&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Platão deu um importante passo adiante na filosofia Socrática, quando questionou a possibilidade de acessarmos a &lt;strong&gt;realidade&lt;/strong&gt; por meio da &lt;strong&gt;razão&lt;/strong&gt;. A idéia que estava em jogo era: Que os homens, por mais que façam um bom uso da razão, ainda sim estão submetidos aos seus desejos(experiência sensível) e que isso os afasta da verdade. Sua filosofia defendeu o &lt;strong&gt;desapego do mundo sensível&lt;/strong&gt;, para que fosse possível ascender ao &lt;strong&gt;mundo das ideias&lt;/strong&gt;. O amor platônico é justamente isso, um amor que a despeito da realidade, só existe nas ideias de quem ama.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A filosofia de Aristóteles se colocou como uma &lt;strong&gt;crítica&lt;/strong&gt; ao pensamento de Platão na medida em que &lt;strong&gt;rejeitou o dualismo&lt;/strong&gt; de Platão (mundo sensível x mundo das ideias). Para Aristóteles, as formas não existem em um plano separado, mas nas próprias coisas. Se pensarmos em uma gatinha chamada Sophie, Aristóteles diria que ela é composta por matéria e forma: matéria porque possui características individuais que a tornam única, e forma porque participa da estrutura comum que faz dela um gato. Diferentemente de Platão, essa &lt;strong&gt;forma não está&lt;/strong&gt; em um &lt;strong&gt;mundo transcendental&lt;/strong&gt;, mas na própria Sophie. A mente humana é capaz de abstrair essa forma a partir da &lt;strong&gt;experiência sensível&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essas são apenas algumas contribuições dos gregos e parte do motivo pelo qual a Grécia é considerada o &lt;strong&gt;berço da civilização ocidental&lt;/strong&gt;. Dos gregos herdamos a &lt;strong&gt;filosofia&lt;/strong&gt; e a partir dela inventamos &lt;strong&gt;todas as outras ciências.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;</content:encoded><category>filosofia</category><category>psicologia</category><category>blog</category><category>ciência</category><category>comunicação</category><author>Matheus Mello</author></item><item><title>A origem da Psicologia e suas abordagens psicológicas</title><link>https://matheusmellopsi.com/blog/a-origem-da-psicologia-e-suas-abordagens-psicologicas/</link><guid isPermaLink="true">https://matheusmellopsi.com/blog/a-origem-da-psicologia-e-suas-abordagens-psicologicas/</guid><description>Um breve relato da história da psicologia e o ponto de partida para que possamos falar de assuntos mais complexos.</description><pubDate>Tue, 24 Feb 2026 00:00:00 GMT</pubDate><content:encoded>&lt;p&gt;Ao longo da história muitos povos se ocuparam de produzir conhecimento sobre o corpo e a mente. Fatores históricos como guerras, desastres ambientais, colonizações e intercâmbio cultural, contribuíram para que o legado de certos povos perdurasse e o de outros não. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os gregos exerceram grande influência na civilização tal como conhecemos hoje e, por conta disso, a Grécia é considerada o &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A9cia_Antiga&quot;&gt;berço da civilização ocidental&lt;/a&gt;. Dos gregos herdamos não somente a democracia mas também a forma de pensar e interpretar o mundo - e chamamos essa prática de &lt;em&gt;filosofia&lt;/em&gt;. Nosso &lt;em&gt;desenvolvimento científico&lt;/em&gt; tem seu alicerce mais antigo na filosofia grega, deste modo, a &lt;em&gt;psicologia&lt;/em&gt; e todas as outras ciências são derivadas da filosofia. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No século XIX o médico Wilhelm Wundt inaugurou na Alemanha o primeiro laboratório dedicado exclusivamente à pesquisa psicológica, onde conduziu estudos sobre sensações, atenção, consciência e introspecção.
Até então não existiam cursos de psicologia e é justamente a partir do trabalho de Wundt que a psicologia torna-se uma disciplina, se espalhando para outros institutos no continente europeu.&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Abordagens Psicológicas&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Quando falamos de ciência, especialmente nas ciências naturais, pensamos em um trabalho de observação, formulação e testagem de hipóteses… A teoria que se prova mais alinhada com a realidade substitui as demais. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas nas ciências humanas as coisas não funcionam bem assim. A psicologia não se desenvolveu de forma linear como uma sucessão de avanços científicos sobrepostos que consolidaram uma única forma de entender o mundo. Depois de Wundt, dentro da psicologia, diferentes teorias e linhas de pensamento surgiram, mas nenhuma foi suficiente para dar conta de explicar tudo. Apesar dessas linhas muitas vezes serem diametralmente opostas, elas são igualmente importantes para a consolidação da psicologia como ciência.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;“Diante desta pluralidade, que fazer? Penso que essa diversidade é o que torna a psicologia tão excitante e desafiadora pois, afinal, é uma ciência em construção. Edna Heidbreder (1969) propõe a seguinte metáfora: as diferentes escolas de psicologia são como os andaimes utilizados na construção dos prédios. Sem eles, a estrutura do prédio não pode ser construída, mas quando o prédio está pronto, os andaimes perdem sua função e podem ser dispensados.” Fabio Thá em &lt;a href=&quot;https://www.academia.edu/6114933/PSICOLOGIA_S_SINGULAR_OU_PLURAL&quot;&gt;PSICOLOGIA(S): SINGULAR OU PLURAL?&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Lembro com muito carinho das palavras do professor Márcio Miotto que nos idos de 2013 oferecia o curso de história da psicologia na Universidade Federal Fluminense: Vocês chegaram aqui pensando em &lt;em&gt;a psicologia&lt;/em&gt;, mas existem &lt;em&gt;as psicologias&lt;/em&gt;. 
 
Se você acha que esse assunto está muito abstrato, aí vai um exemplo prático. Olhemos as contribuições de Sigmund Freud e John Watson.&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;
&lt;p&gt;Freud foi um médico neurologista que entre os séculos XIX e XX prestou importantes contribuições para a psicologia. Quase descobriu o funcionamento dos neurônios e não o fez porque seu projeto de psicologia se distanciou da fisiologia para se ocupar de outra forma de estudar o funcionamento da mente. O objeto de estudo da psicanálise de Sigmund, o inconsciente, não está em uma célula do nosso corpo e não pode ser observável em um experimento laboratorial. Freud continua sendo relevante para o campo psicanalítico contemporâneo e hoje, quando um psicanalista faz um atendimento online,  se for um &lt;a href=&quot;matheusmellopsi&quot;&gt;bom analista&lt;/a&gt;, ele estará empenhado em escutar o inconsciente. &lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;
&lt;p&gt;John Watson foi um psicólogo estadunidense do século XX. Considerado o precursor do movimento chamado comportamentalismo(behaviorismo) Watson contribui para psicologia com uma abordagem que rejeita a introspecção&lt;sup&gt;&lt;a href=&quot;#user-content-fn-1&quot; id=&quot;user-content-fnref-1&quot; data-footnote-ref=&quot;&quot; aria-describedby=&quot;footnote-label&quot;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;, propondo que o comportamento de um organismo pode ser observado, reforçado e condicionado. Sua proposta foi o ponto de partida para uma nova forma de fazer psicologia e seu legado sustenta até hoje as abordagens cognitivas comportamentais da psicologia.&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt;Psicanálise e o Behaviorismo são componentes da psicologia, não se excluem nem tampouco se complementam: elas coexistem. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mesmo vale para a esquizoanálise de Félix Guattari, a psicologia analítica de Jung e a gestalt de Wertheimer. Todas essas são abordagens psicológicas que se originam de escolas fundamentais para consolidação da psicologia enquanto ciência.&lt;/p&gt;
&lt;section data-footnotes=&quot;&quot; class=&quot;footnotes&quot;&gt;&lt;h2 class=&quot;sr-only&quot; id=&quot;footnote-label&quot;&gt;Footnotes&lt;/h2&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id=&quot;user-content-fn-1&quot;&gt;
&lt;p&gt;Processo de observar e analisar os próprios pensamentos, fundamental para a psicanálise. &lt;a href=&quot;#user-content-fnref-1&quot; data-footnote-backref=&quot;&quot; aria-label=&quot;Back to reference 1&quot; class=&quot;data-footnote-backref&quot;&gt;↩&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/section&gt;</content:encoded><category>psicologia</category><category>história da psicologia</category><category>abordagens psicológicas</category><category>psicanálise</category><category>blog</category><category>divulgação científica</category><author>Matheus Mello</author></item><item><title>A Mente do Palhaço: Sobre o Blog</title><link>https://matheusmellopsi.com/blog/a-mente-do-palhaco-sobre-o-blog/</link><guid isPermaLink="true">https://matheusmellopsi.com/blog/a-mente-do-palhaco-sobre-o-blog/</guid><description>O manifesto de um psicólogo clínico e psicanalista sobre a criação deste blog, o desejo de comunicar e a busca por indexar páginas de qualidade sobre psicologia, psicanálise e arte na internet.</description><pubDate>Thu, 12 Feb 2026 00:00:00 GMT</pubDate><content:encoded>&lt;h1 id=&quot;psicologia-clinica&quot;&gt;Psicologia Clinica&lt;/h1&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;https://i.pinimg.com/736x/28/42/40/28424031811db180c7cab60411b70f87.jpg&quot; alt=&quot;matheusmanifesto&quot;&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A criação deste blog não poderia começar diferente, esse é o meu manifesto enquanto trabalhador da área da saúde, psicólogo e psicanalista clínico com 5 anos de clínica tendo sido os dois primeiros na escola de Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras, alguém que se dedica integralmente à psicologia clínica e psicanalítica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu diria que hoje tenho o trabalho que sempre quis e chega até ser difícil pensar em outros trabalhos tão prazerosos quanto a clinica. Desde sempre tive aptidão para escutar, interesse e curiosidade pela sociedade e as subjetividades… Definitivamente estou no trabalho certo, faço o que gosto e faço bem feito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Meu trabalho clínico se sustenta com esmero, sempre amparado no investimento continuado em estudo e qualificação, fazendo cumprir assim o tripé psicanalítico composto por: análise pessoal, supervisão clínica e estudos teóricos.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&quot;o-contemporâneo-tá-difícil-hein&quot;&gt;O contemporâneo tá difícil hein?!&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A clínica não se resume apenas a escutar gente, você precisa captar pacientes. Nesse intento, até aqui já tentei várias coisas: Passei por temíveis plataformas online (já até escapei de golpe de plataforma falsa.), trabalhei terceirizado para uma empresa de saúde do trabalho, criei o famigerado perfil no &lt;a href=&quot;https://www.instagram.com/matheusmellopsi/&quot;&gt;instagram&lt;/a&gt; e por fim, procurei consultoria de marketing (era furada).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu sou uma criatura da internet porque cresci rodeado de computadores e bugigangas eletrônicas. A relação com a tecnologia é algo constituinte para mim, é um interesse genuíno e também um ponto de identificação/encontro com meu pai.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A internet foi meu objeto de pesquisa na graduação e por conta disso li uma cacetada de sociologia do trabalho e história da computação e das redes. Isso não só me uma noção de como as coisas funcionam nessas redes sociais, mas um ranço enorme também.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Então a ideia de trabalhar ativamente em um perfil de rede social depositando horas das minhas mais sublimes habilidades, me parecia abjeta. Criar coisas leva tempo e essas redes não respeitam o tempo das coisas. O mundo contemporâneo está enfiado em um buraco negro de produção e consumo de conteúdo porque isso é lucrativo para caramba para essas empresas de tecnologia estadunidenses.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Usar as redes sociais para trabalhar parece ser tendencia incontornável para muitos profissionais e sinto que eu não tinha um espaço digno para colocar meu trabalho, até meu querido dev criar esse site e blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este blog nasce de desejos infantis como: Comunicar, brincar no paint e surfar na internet. Esse blog nasce como uma recusa à logica de consumo e produção das redes, que adoece pessoas, achata subjetividades e lucra com o medo e a desinformação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Seria isso um papo de millennial? Não sei. Mas melhor coisa que eu sinto que posso fazer é compartilhar informação de qualidade e criar caminhos para que minha criatividade flua livremente na rede. Desde que o mundo é mundo ele está prestes acabar então vamos inventando coisa para tentar aplacar um pouco da angústia que é existir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Me acompanhem por aí. Leiam textos e troquem ideias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Atualizado 24/03/26&lt;/p&gt;</content:encoded><category>psicologia</category><category>psicanálise</category><category>blog</category><category>manifesto</category><category>arte</category><category>comunicação</category><author>Matheus Mello</author></item></channel></rss>